terça-feira, 1 de junho de 2010

A vida ri de mim então.


Ela então me empurrava pro poço. Dizia pra que eu continuasse, aguentasse firme. E eu aguentei. Entretanto, talvez eu devesse não mais aguentar, sair desse poço que pensa em tirar minha respiração.

Eu a segui.

Fui até o fundo. Até que a única coisa que ficou em minha mente não foi você, ou qualquer outra pessoa. Foi um escuro. Um momento de pausa.

Tentei contar os segundos mas no 10º segundo tudo dissipou-se.

Tudo que eu pensei era no ar. Preciso do ar. Preciso dele com todas as minhas forças.
Preciso respirar. Preciso sair daqui. Preciso, e a única pessoa que vai te tirar disso tudo, desse poço, é você mesma. Respirar é tudo o que você necessita. É tudo que você anseia.

E ao fechar os olhos ela sentia a àgua invadindo sua face, molhando seus cabelos, mas sem levar nada embora, jamais, levar algo embora. essa àgua não modificava-se. Ela continuava a mesma, ela sempre fora a mesma. Imodificável.

E eu só conseguia ver a ausência de cor. E se mais alguns segundos se passassem, de vida também, da minha vida.
Tentei continuar lá. Mas o impulso queria levar-me para cima.

Não. Não me leve para cima. Não me leve para lá onde as necessidades aumentam, onde os desejos são indecifráveis, onde o mundo corre.
Não é esse o dia, não é essa a hora, esse não é o momento.

E tudo era isso. A vontade imensa de poder respirar, a vontade de por um segundo sequer sentir a brisa do vento, sentir algo que pudesse me levar embora.

Levar embora? Levar embora pra onde?
Pra longe dessa vida, pra longe desse poço.

Não se engane. Eu não quis sair do poço quando pude, tive opção. Lá, eu consigo ver apenas as cores importantes. Apenas os dias marcantes. Será essa coisa que chamam de vida? Como encontrar vida, na quase-morte? Ou devo chamar isso de quase-libertação? Não achem que eu quero dizer quase libertação com a morte. Não, a quase morte é um sopro de vida.

O que viria agora?

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