Ei, ontem consegui escrever pra você tudo -ou quase- que sempre quis te dizer. Hoje, esperei que alguma mudança ocorresse e você viesse e me perguntasse algo. Não veio. E a carta está aqui, em minhas mãos, como um tesouro, ou uma bomba. É, definitivamente, uma bomba. Ela marca as horas do tempo que tenho perdido te esperando, e eu sinceramente estou saturada. Não dá mais. Mas o pior, é ter que me reconstruir, é ter que tentar sorrir verdadeiramente, de novo. É pensar que eu vou superar, que eu vou esquecer, e o que vai restar vai ser um vazio, maior do que este que já está aqui hoje. Tic tac. E eu preciso te entregar. Preciso acabar com as esperas, com o sorriso sinico sempre que olho algum casalzinho feliz e imagino que daqui a algum tempo, algum deles se encontrará na mesma posição que eu.
Onde todos esstão se metendo? Não ouviu falar que no século 21 a gente não ama mais? E quem ainda sente? Para com isso, toolo. Quem ainda sente termina desse jeito, amigo. Mas a pior parte, é que não termina. A gente continua. A gente acorda todos os dias com novas mentiras pra contar, fingindo que superou e que aquela pessoa não é mais ninguém. Porque ela, ah, ela continua. Talvez lembre de você entre uma boca ou outra que ela beija.. Ao contrário de você, que só consegue jogar solidão por aí, e machucar outros corações que ainda, e eu repito, ainda, não sentiram a dor que hoje você sente. E só você sente, seus amigos já cansaram de tentar ajudar, de te resgatar, de fazer com que você supere (afinal, era só uma paixãozinha adolescente) e você já não tem forças pra lutar e gritar, gritar, gritar. Olha só, talvez não fosse só isso, okk? Talvez, só eu e ele soubessemos o sentimento que nutriamos um pelo outro. E hoje, talvez só eu continue me lembrando disso. Quase 6 da manhã, e eu continuo acordada pensando em como tirar seu nome, seu rosto, do meu pensamento. Pensando em como poderei um dia sentir tudo isso de novo, como QUERER sentir isso, pra acabar sozinha? Só to cansada demais de construir e destruir sonhos e fantasias.
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