Gosto da folha em branco, gosto da falta de expectativas.
Já faz algum tempo que venho tentando escrever pra você, amiga. Mas é difícil demais quando não se tem as respostas. Me perdoe por todas essas mentiras, por tentar enganar o mundo a todo tempo - e por acaso conseguir enganar somente a mim mesma.
A verdade é que minha vida tem sido um ontem não resolvido, e não sei se tentar resolve-lo fará com que minha vida ande para frente, ou continue para trás. Talvez, você me diga - e com razão - que enquanto eu não viver do novo, criar novos laços, deixar os outros entrarem, nada irá melhorar. E é aí que eu te digo. Se eu pudesse arrancar, arrancar isso, jogar tudo fora, hoje eu não o faria. E não por falta de vontade, ou por medo de não sentir mais nada, porque eu não sei sequer se estou sentindo. Minto, sinto, sinto mais do que posso afirmar, sinto que amo, sinto tanto. Eu sei que não é isso que você gostaria que eu dissesse, mas indo ainda mais longe, que eu sentisse. Você quer meu bem, eu posso ver. E você sabe que isso tudo não é o certo pra mim, que uma hora ou outra, jogar cansa. Mas parece que minhas barrinhas de vida sempre aumentam, pois eu insisto nesse jogo, cujo o fim é sempre o GAME OVER.
Agora é sua vez de dizer "eu te avisei" mas por favor não diga, por favor, hoje não.
Alguns diriam que essa carta contém muitos pedidos, e eu diria que quando não se tem nada, qualquer migalha já é o suficiente.
E você me diz que não é assim que deve ser, porque você acredita em mim. Acredita?
Ainda acredita? Tenho tentado a todo custo te dizer que cansei de ser mais uma mobília velha da sala de estar, que cansei de não ser mais notada, apesar de você dizer que eu tenho aquele tal do brilho. Esse brilho. Mas o que é isso?
Talvez eu chegue a ter, talvez, quem sabe. Mas hoje?
Sinto te dizer, mas parece que ninguém além de você parece notar a existência dele.
Assim como a minha, ponto
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